Corrida de 100 metros. Você é a lebre mais rápida. Seu único adversário é uma tartaruga. Muito mais velha que você, muito menos evoluída. Você tem tudo para vencê-la, é melhor em todos os sentidos. Você chega na linha de partida, ela já estava ali parada a bastante tempo. Você nunca falhou, nunca deixou de ocupar a parte mais alta do podium, mas o desafio desta vez é mais que a simples corrida. Você se concentra, se entrega, se dá ao máximo. É dada a largada. Enquanto você corre a tartaruga não mostra reação, ela insiste em ficar na mesma posição todo o tempo. Todos já enxergam claramente você cruzando a linha de chegada, mas algo está errado. Num certo ponto o centésimo metro do percurso não mais se aproxima, seus olhos não o enxerga mais tão nitidamente. Sem alguma explicação, a vitória da tartaruga parece ser tão provável quanto a sua. Você correu melhor, correu mais. Você foi durante todo o percurso, só corrida. Mas está acontecendo algo que você não entende, não pode controlar. Sem nenhuma explicação, a tartaruga está do seu lado na corrida. Ela não se move e mesmo sem mexer um músculo está tão bem quanto você. 
Então com medo, seus pés cada vez correm mais, mas mesmo inerte a tartaruga te acompanha. Por que?

Mais duro que o esforço, que a persistência e a garra é saber que fez tudo pra dar certo e vencer, saber que foi melhor que todos, mas por algum motivo parece ser em vão. Apesar de tudo parar de correr não está em cogitação. A derrota é sempre possível, mas perder pra alguém muitas vezes pior, mexe comigo. Mas mexe demais.